Novo corte da Selic aproxima Brasil de ter juro negativo em 2020.

Com a pandemia de coronovírus, o Banco Central deve cortar mais uma vez a taxa Selic nesta quarta-feira.

Os dois cortes de juros anunciados pelo Federal Reserve (FED), banco central americano, nas últimas semanas, fizeram com que aumentasse a expectativa de que o Banco Central brasileiro irá cortar a taxa Selic mais uma vez nesta quarta-feira (18).


No final de final de fevereiro, o BC tinha sinalizado ao mercado que seria o fim do ciclo de corte de juros, mas o cenário mudou completamente diante da pandemia de coronavírus em todo mundo.


“As circunstâncias são adversas. O BC está agindo para tentar atenuar o impacto da crise. O que veremos pela frente é uma contração de investimentos”, explica João Maurício Rosal, economista-chefe da corretora Guide Investimentos.


Diante da pandemia de coronavírus, gestores e analistas apostam que o Copom deve anunciar um corte de 0,5 ponto percentual na Selic, ficando em 3,75% ao ano.


Se o corte na taxa de juros for maior do que o previsto (entre 0,75 ponto percentual ou 1 ponto percentual), o Brasil pode ter, pela primeira vez na história, juro real negativo. Isso significa que a inflação- medida pelo IPCA- irá superar o juro nominal ou o valor real dos juros serão menores do que a inflação.


Numericamente, quem deixar o dinheiro em algumas aplicações da renda fixa, como Tesouro Direto e CDB, continuará vendo um aumento gradativo do valor aplicado, mas não se engane. O dinheiro ficará menor porque haverá uma redução do poder de compra do investidor por causa da inflação. “É a renda fixa virando uma perda fixa”, brinca Rafael Panonko, chefe de análises da Toro Investimentos.


Onde investir

Desde que a Selic caiu gradativamente de 14,5% ao ano para 4,25% ao ano, a renda fixa tem deixado de ser atrativa. Com juros negativos e rentabilidade perdendo para a inflação, a situação se agravou.


Quem ainda estava na renda fixa terá que buscar alternativas e ir para a renda variável. O investidor terá que correr mais riscos, mas não necessariamente ir para a Bolsa. É fundamental que ele respeite o seu perfil de investimentos e faça a distribuição da sua carteira de uma maneira que se sinta seguro e confortável. Quem tem o perfil conservador, por exemplo, estaria em pânico com a perda de 35% do Ibovespa somente este ano.


A orientação dada por analistas ouvidos por EXAME é que a pessoa faça a migração para a renda variável aos poucos. O primeiro passo seria investir em fundos de investimentos imobiliários (FIIs). Esse produto é vendido na bolsa de valores e o valor da cota tem marcação a mercado. Além disso, os FIIs fazem também pagamentos mensais, referentes aos aluguéis dos imóveis investidos.


Fonte: Exame





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